Brasileiro
descobre uma estrela supernova Roberta
Jansen
Um engenheiro eletricista de 40 anos, funcionário
do Banco Central em Brasília, acaba de garantir um lugar na seleta
lista de descobridores de eventos astronômicos. No último dia 8,
Paulo Fonseca de Cacella, astrônomo amador desde os 9 anos, observou
uma supernova, que jamais havia sido detectada. As supernovas são
explosões de estrelas, extremamente brilhantes, que guardam
importantes informações sobre a expansão do Universo. A descoberta,
a primeira do tipo feita por um amador brasileiro, foi comunicada
imediatamente à União Astronômica Internacional.
-— Duas
horas depois, astrônomos do Observatório de Lick, na Califórnia,
informaram que a descoberta era correta — contou Cacella.
Estrela fica na direção da constelação de Leão
A supernova observada pela primeira vez pelo brasileiro
recebeu o nome de 2002bo e fica na galáxia NGC 3190, na direção da
constelação de Leão. A galáxia está localizada a 60 milhões de
anos-luz (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros) da Via
Láctea, distância considerada relativamente curta em termos
astronômicos. A observação foi feita num telescópio simples em
relação aos equipamentos utilizados por profissionais.
— Sou
um amante da astronomia, não propriamente um astrônomo amador. A
astronomia, para mim, é um hobby filosófico. Uso os instrumentos
para observar a natureza e criar uma certa sincronia com o Cosmo.
Observo o céu desde os 9 anos e cheguei a pensar em cursar
astronomia, mas as condições não eram favoráveis — divaga Cacella. —
Na sexta-feira, eu estava assistindo à TV quando resolvi montar meu
telescópio no terraço e observar. Decidi olhar um conjunto de três
galáxias em Leão. Na primeira observação, desconfiei de uma
minúscula estrela — conta o engenheiro.
Fenômeno é
considerado o mais energético do Universo
Até hoje, em
nossa história, foram observadas cerca de duas mil supernovas. As
brilhantes estrelas constituem um evento raro e difícil de ser
observado. Em geral, as observações ocorrem casualmente, como no
caso de Cacella.
— Uma grande parte das descobertas foi
feita em galáxias remotíssimas por times de busca automática, com
dezenas de pesquisadores associados e telescópios caríssimos —- diz
Cacella. — Acho impossível, nos dias de hoje, ocorrer novamente uma
descoberta como a minha, feita com esse tipo de equipamento e nessa
localização (a supernova está no Hemisfério Norte e, portanto, seria
mais facilmente observada dos EUA, Ásia ou Europa). Para o Brasil a
importância está na educação. Em mostrar que está ao alcance de
pessoas comuns ajudar no processo científico — acrescenta, o
astrônomo amador, com visível orgulho.
O fenômeno que gera
as supernovas é considerado um dos mais energéticos do Universo,
segundo o astrônomo do Observatório Nacional Paulo Pellegrini,
responsável, ele também, pela descoberta de uma dessas estrelas, em
1983.
Supernova é tão luminosa quanto uma galáxia
— Uma supernova é uma estrela que, devido a algumas
características específicas, passa por um evento explosivo de
grandes proporções e joga quase toda a sua massa no meio
interestelar, a grandes velocidades. Seu brilho aumenta
repentinamente e ela pode se tornar tão luminosa quanto milhões de
estrelas juntas e, em alguns casos, mais brilhante que a galáxia
onde se encontra. A explosão de uma supernova próxima ao nosso
Sistema Solar seria catastrófica para a raça humana — define
Pellegrini.
O material expelido pela supernova eventualmente
se condensa, formando novas estrelas. As supernovas representam,
assim, um dos mecanismos por meio dos quais as galáxias evoluem.
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