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Descoberta da Supernova em NGC 3190Discovery of 2002BO Supernova in NGC3190 Imagem da 2002BO obtida com o Telescopio MMT de 6.5 metros (clique na foto para uma imagem maior) Leia o artigo sobre a descoberta publicado no ENAST e outro na LIADA
História da DescobertaImagens da Descoberta e da SN2002boNotícias da Descoberta na Mídia Sites e observações da SN2002boDocumentos Relativos a SN 2002boAntes de mais nada você pode acompanhar a evolução da supernova no ISN e visualizar lindas imagens desse grupo de galáxias. Recomendo especialmente a do Observatório Pollux. Em mais uma das noites poéticas de observação tivemos o prazer de descobrir uma supernova. Os detalhes dessa história, bem como as imagens e outros aspectos podem ser vistos nessa página. História da DescobertaEra uma noite de sexta-feira, já pelas 9 horas da noite, quando resolvi montar o telescópio no terraço. Estava um tanto contemplativo, como gosto de ficar quando estou observando o céu. Com calma fiz o setup do telescópio e do CCD, que demorou cerca de 30 minutos. Trouxe meu computador em uma mesa móvel onde ele é instalado. Um dark frame e um flat foram tirados porque essa noite resolvi utilizar o redutor com foco F4.1, segundo minhas medidas astrométricas. Quando usamos o redutor em F2.7 o flat é indispensável por causa do obscurecimento das bordas, causada por diferenças de iluminação (vignetting). Com a minha internet de rádio eu tenho o computador ligado no telescópio e no resto do mundo. Chamei o Guide 7 e procurei pelas coordenadas da distante galáxia UGC 5499 que estava apresentando uma supernova de magnitude 17. Posicionei o telescópio e peguei as imagens. Nem um pouco excitantes, já que se tratava de uma galáxia remota. Mas uma supernova é uma supernova. Uma explosão sem precedentes que ilumina toda uma galáxia e cuja luz percorre os mais distantes confins do universo. Essas estrelas em seu leito de morte, além de serem faróis que iluminam o nosso conhecimento do cosmos, também são a matéria prima que criará novos mundos, talvez novas civilizações como a nossa. Sentei na cadeira e observei o céu acima. Estava magnífico, com Órion o caçador se pondo ao Oeste e com Virgo, a Virgem nascendo a leste. Ao norte já podíamos avistar a Ursa maior e ao sul a notável constelação da Carina, com suas belezas e mistérios. Por alguns momentos pensei qual seria a próxima viagem. estava há tempos tentando superar a imagem do quasar PKS2000-330 que eu havia fotografado meses atrás. De alguma forma não estava disposto a tentar um quasar de magnitude 20. Então observei, bem a minha frente, a constelação do Leão, com seu traçado e desenho tão distinto. Quando comprei o CCD uma das primeiras tentativas que fiz foi fotografar o conjunto de galáxias Hickson 44 no Leão. Fiz isso porque achava o conjunto de uma plástica magnífica, raras vezes vista no céu. Uma galáxia peculiar, chamada Arp 316 ou Hickson 44A ou ainda NGC 3910. Essa galáxia, situada a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, é uma galáxia espiral peculiar, com forte faixa de absorção. A seu lado a galáxia NGC 3187 (Hickson 44D), uma espiral barrada, talvez o mais belo tipo de galáxia que existe no cosmos. Próximo e a sua direita a bela galáxia elíptica, quase esférica, NGC 3193 (Hickson 44B). E finalizando o grupo a galáxia espiral, vista de cima, NGC 3185 (Hickson 44C). Conjunto de Galáxias Hickson 44 em Leão (não aparece a Hickson 44C) Resolvi então fotografar de novo o conjunto. Ao aparecer a primeira imagem no ecran, logo notei que havia uma pequena estrela próximo ao núcleo da NGC 3910. Mandei o Guide pegar automaticamente uma imagem do DSS (Survey do Monte Palomar) da região. O problema é que, normalmente, próximo ao núcleo as imagens de galáxias são muito saturadas. A região em que a estrela se encontrava aparecia em branco. Busquei na internet outras imagens e achei a que se encontra acima, do NOAO. Verifiquei então que não havia nenhuma estrela na região observada. Voltei ao Aladin (DSS) e capturei uma imagem mais adequada para usar como comparação. Aqui quero dizer que astronomia, sonhos, desejos, imagens, estética, prazer e música (das esferas...) são uma droga mais poderosa do que qualquer químico inventado pelo homem. O que aprendi é que nada é impossível quando se acredita em algo. Ao observar o céu eu tento sintonizar com a natureza, ouvir a sua música, sentir o profundo da vastidão do universo que nos cerca. Posso dizer que, no momento que eu a vi pela primeira vez, sabia ser uma supernova. O que eu não sabia é que era inédita. Como nunca levei o hobby a sério no sentido de fazer descobertas ou contribuir para a ciência, não sabia direito o que fazer nem com quem falar. Entrei na Internet e comuniquei o fato para a União Astronômica Internacional que me solicitou informações complementares. Isso foi as 11 horas da noite de sexta-feira, 8 de março de 2002. Mandei então uma mensagem para a rede VSNET do Japão solicitando confirmação do evento. Continuei a brincar com a coisa, fazendo imagens de outros objetos. Duas horas depois o astronomo Dr. Li do Observatório de Lick confirmou a descoberta ao redirecionar o telescópio KAIT. Fiz a astrometria e mandei pra VSNET e pra IAU. Aí vem a pergunta ? Onde entra o japonês que aparece na IAUC ? Ele entrou de gaiato. De fato foi um erro da União Astronômica Internacional. As observações do ´descobridor´ foram feitas horas depois da confirmação do KAIT, como pode ser visto na própria IAUC. Eles se confundiram e ficou daquele jeito. Mas isso é irrelevante, apenas uma curiosidade. No dia seguinte a tarde saiu a documentação oficial da IAUC e só então me senti confortável pra fazer a comunicação.
Imagens da Descoberta e da SN2002boDe fato a primeira imagem da supernova foi obtida exatamente as 01:40:41 UT de 09 Mar 2002, ou seja 10:40:41 de 08 Mar 2002 Hora local. A imagem está abaixo e teve 20 segundos de exposição.
Notícias da Decoberta
Documentos Relativos a SN 2002boDocumentos da União Astronômica Internacional
Sequência da Descoberta na VSNET
Dados Observados (Llapasset)
Papers
Sites e observações da SN2002bo
Última atualização 07/03/04 |